Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Re-viver Una Notte Piana



Teclas, que toleram minhas mãos trémulas - companheiras de tantos suspiros tic'tacteados - levem-me a mim para onde vão as palavras. Encantem-me melodiosamente. Produzindo sons nunca antes ouvidos. Pianem, por favor, pianem.

Onde foram, todas vós, notas de meus sonhos? Quanto vos tenho procurado durante o dia. Por quantas mais'horas vos escondeis de mim, aqui sumido entre paredes cerradas? Tantas são as perguntas que meu coração tem para fazer.

Quero um pouco de luz até ao fim deste túnel que nunca mais acaba. Um pouco de esperança neste início que nunca mais tem começo. Ou um fim breve neste que tende em não acabar. Porque eu não sou eu. E não sei por quanto mais há não-eu que subsista.

Tão esmiuçado vivo o dia. Tão fugidias passam minhas horas e minhas noites que nem o amor me salva. Nem o amor me alegra e me faz esquecer o mundo. As obrigações, as desilusões, as ões, as ões...

Por onde mais continuarei perdido neste tempo. Que âncoras agarradas a este chão terão de ser libertas?

Estou seco. Estou consumido. Estou, sem sequer estar. Ajuda-me lua. Que a viagem será longa, e não faço ideia por onde hei-de ir.